terça-feira, 14 de setembro de 2010

A prece

Já faz um tempo que li a trilogia da história do Rei Arthur contada pelo autor Bernard Cornwell, pra quem não sabe Arthur é considerado o maior de todos os reis da Inglaterra, ele é o cara da Távola redonda, “amigo” de Lancelot, querido de Merlin, etc... Contudo ninguém sabe ao certo se ele foi rei mesmo, ou se ele existiu de fato. Bernard Cornwell baseado nos últimos descobrimentos arqueológicos e históricos tenta remontar a história de Arthur a partir de uma nova ótica, enquanto todos retratam Arthur como um exímio guerreiro, um homem forte que nem a traição de sua esposa com seu melhor guerreiro, Lancelot no caso, foi capaz de derrubar ou desanimar o voraz Arthur, o senhor de todas as guerras, pois em suas mãos havia a Excalibur a espada dos deuses.
Na contramão da via, Bernard retrata um Arthur humano que o seu maior feito foi preservar o seu coração compassivo com a história alheia em meio ao caos que afligia a sua vida, na verdade este Arthur apresentado por Bernard, não era grande pelas batalhas vencidas, ou por seu enorme cavalo, ou por sua estatura (brincadeirinha rsrsrs), Arthur era grande por que era nobre, era grande por que o seu maior desejo era ajudar o seu povo e proteger a sua terra da maneira mais pacifica possível.
A partir dessa linda história inquietei-me acerca de algumas questões da minha alma, percebi que a minha bondade era fácil de ser sustentada, pois era muito fácil ser bom no meio em que vivia, não havia confrontado a dureza da vida, dentro de mim não existia “o encanto de chorar com um filme na TV, ou de se emocionar com uma história de clichê” (musica Gratidão da Banda Tentativa 2), pois a minha religião era pobre e egoísta e o meu amor demagogo, percebi que tudo o que os meus “mentores espirituais” me ensinaram me afastava da vida, e que por estar distante não sentia a maravilhosa dor da compaixão, o impulso de me esvaziar pra ajudar, o desejo pelo bem alheio, o verdadeiro constrangimento do amor. Era um insensível do pior grau.
Hoje peço a Deus que o conforto não me estacione, que o meu circulo não me torne egoísta, que minhas idéias priorizem a vida, que o meu amor nunca seja suficiente, e que minha vida acrescente algo para as pessoas, que eu sofra com o mal comum, e que os meus atos caminhem com minhas palavras, que diante do dia mais perverso e das pessoas mais perversas eu consiga ser humano.

A vida é bela e a idéia é nobre


Silas Lima

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O menor investimento. O maior amor


Quando começamos a analisar a vida afinco, vamos descobrindo que nela há processos e situações que são inerentes a todos e isso nos torna iguais, descobrimos que nossos anseios, desejos e vontades em geral, se analisados em ultima instancia são os mesmos, com isso vem ao chão toda, teoria, idéia, “remédio”, ou religião que dizem ter a formula para controlar a vida ou Deus, ou controlar a vida e Deus. Com esta nova percepção entendemos que estamos sujeitos a todos os bens e males da vida independente do que cremos, que mesmo os mais corruptos e sacanas podem ganhar na loteria, bem como os mais justos e honestos podem morrer atropelados.

Trilhando nesse pensamento descubro a verdadeira faceta de Deus, ou posso me enojar de seu suposto “descaso” com a humanidade, com todos os percalços que a vida tem, posso aderir à idéia deísta de que estamos no mundo à deriva da roleta da vida, que como um barco em alto mar, estamos esperando que o tempo não vire e que as ondas não se enfureçam, dependendo do imprevisível, a mercê do incontrolável. Conceito tal que nem tudo tem de errado, mas que nos impossibilita de enxergar o imenso amor de Deus, que tendo o controle decidiu não controlar, que tendo o poder decidiu não dominar, que não precisando decidiu se relacionar com seres infinitamente menores, que nos deu total liberdade de escolha, mesmo correndo o risco de não o escolhermos, e o mais fascinante ainda assim me amar, pois o seu amor não está atrelado ao resultado que lhe damos, mas simplesmente no desejo de amar, de ser parceiro, de participar de nossa caminhada como um fiel escudeiro, pois se houvesse qualquer tipo de controle não haveria sentimentos verdadeiros.

No final das contas estamos sim diante dos buracos da estrada, contudo não estamos sozinhos no carro.

A vida é bela e a idéia é nobre.
Silas Lima