segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Caminho do Sonho

Ontem tive uma noite diferente, assisti ao filme “EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA” sobre a história de J.M. Barrie o criador do conto do Peter Pan, o filme revela um gênio incompreendido por crer que a beleza das histórias estava na imaginação, que a mesma pode torna-lo o que você quiser e criar o que você deseja, Barrie acreditava que crianças voavam e que a terra do nunca existia, acreditava tanto que fazia questão que todos a conhecesse, e mesmo tachado de louco, Barrie ousou a insistir no caminho dos sonhos, até fazê-lo tangível aos que não sonhavam, viveu como menino, andou com meninos e tornou-se grande, encantando o mundo com uma historia de menino, foi genial por ser menino e por ser menino foi genial.


Logo após o término do filme, creio que pela primeira vez na minha vida meu estado de espírito pairou no nada, foi estranho, não sentia coisa alguma, era como se estivesse no meio de um vazio onde não havia nada para se ver, sentir, ouvir, tocar, etc. Parecia que estava sem forma e vazio, parecia uma terra jamais pisada, um planeta desconhecido, algo a nascer, a ser inventado, não sabia o que queria nem o que fazer, pensei em ir dormir, mas não fui, pensei em ler um livro (na verdade era um gibi rsrsrs), mas não li, pensei em ouvir musica, mas não ouvi.

Parado, e aos poucos fui me descobrindo, me desvendando, comecei a ouvir o canto das vozes do meu espírito, enxerguei as cores do quadro do meu coração...tive medo.

Tive medo de passar em branco, de não escrever nada na linha dos corações alheios, de estar caminhando ao contrário, de estar fazendo pouco ou nada, de não ser uma expressão de sonho aos que não sonham, de não amar como deveria, tive medo de minha história se encerrar com a minha morte.

Num momento de extrema impotência meu desejo era alcançar o mundo com meus braços e mostrar amor aos que sofrem.

Por fim dei conta de minha limitação e fui dormir me sentindo uma formiga na cama de um elefante.

Hoje acordei melhor, ainda impotente e limitado, mas melhor, me motivei, pois enxerguei que estou em um bom caminho, pode até não ser o melhor, mas é bom, pode até ser distante, indesejável, solitário e nada atraente, mas ainda é um bom caminho, parafraseando a terra do nunca de Barrie, o nome do meu caminho é "Caminho do Sonho", do sonho de Deus.

Por mais impossível que pareça vou insistir neste caminho até que um dia eu consiga fazê-lo tangível aos que não sonham.

Me lasquei, acabo de dizer que nunca vou parar de caminhar...



A vida é bela e a idéia é nobre.
Silas Lima


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Nada, BELO


Dizem que somos aquilo que desejamos, ou seja, somos o que queremos.

Não acho isso uma verdade absoluta, pois toda a generalização é injusta, contudo concordo na maioria dos casos que aquilo que você almeja, diz muito sobre você, por exemplo: os que desejam ser ricos e ter muitas propriedades geralmente são egoístas, os que querem poder geralmente são escrupulosos, os que desejam amigos geralmente são fáceis e leves, os que ligam para aparência geralmente são vazios e fúteis, os que desejam uma vida de paz geralmente são simples, os que desejam uma fazenda geralmente são pacatos, os que querem ser o melhor geralmente são orgulhosos, logo percebemos que somos movidos pelos nossos desejos, seja como pessoa, instituição, país, grupo de amigos etc..
De frente deste dilema, me parei a pensar no que eu quero, sempre falo, falo e falo de novo de uma idéia, de um novo jeito de ser, e ai penso: Aonde isso vai me levar? O que vou ganhar com isso? Qual é o meu desejo?

Custei a aceitar a minha constatação, mas sem medo hoje posso dizer que o meu desejo, que a minha motivação é o NADA. Como assim o nada?


É meu caro o NADA é a fonte motivadora de minha vida, não almejo grandes coisas, simplesmente vivo o que vivo (melhor tento viver) por ser bom, hoje soa estranho não almejar nada com nossas ações, mas te garanto, achei beleza no nada.


Vi que os que por nada ajudam são os mais misericordiosos, que os que por nada choram são os mais sensíveis, que os que por nada se vendem são os mais honestos, que os que do nada aparecem são os que verdadeiramente gostam, que os que por nada desistem são os mais perseverantes, que os que por nada desanimam são os mais esperançosos, que os que por nada se agraciam são os mais felizes e que quem por nada amamos são os que chamamos de amigos, logo a fonte do verdadeiro bem é o nada.


Luto por coisas que nada dão em troca, mas são coisas que nos tornam melhor, pois pequenos gestos podem nada parecer, mas aquele que por nada faz o bem, nada o pode tornar mal.


A vida é bela e a idéia é nobre.

Silas Lima

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Prefiro o amigo ao Boleiro.


Texto em Homenagem ao Antivirus o Glorioso.



Prefiro os amigos, pois em time amigos todos jogam, em time de boleiros só os bons jogam.


Os amigos me permitem o erro, os boleiros excluem quem erra.


Os amigos xingam, brigam, lutam, mas nunca escondem, os boleiros disfarçam depois afastam.


Os amigos jogam pra se divertir, os boleiros jogam pra ganhar.

Pros amigos a vitória é uma festa conjunta, pros boleiros ela é obrigação.


Amigos vibram com o feito do outro, boleiros invejam o feito do outro.


Amigos sorriem mesmo na derrota, os boleiros se dispersam nela.


Pros amigos um bom jogo é o do golaço, o do tombo, o do gol contra, o da jogada linda, o do drible, o da vitória suada, odo passe "loko", aquele jogo que foi gostoso, leve, agradável, pros boleiro um bom jogo é o ganho.


Pros amigos o jogo é pretexto, pro boleiro é o texto.


Pros amigos o importante é depois, pro boleiro não há depois.


O amigo joga com o seu time, o boleiro em um time.


Amigos fazem amigos, boleiro é boleiro, e sempre será boleiro, sozinho, só ele e a bola.


Cada vez mais me canso dos bons, dos que não se permitem cambalear, pois seu status está na bola não no tratar, por isso prefiro os mais ou menos (no qual eu me incluo), que preferem eu ao futebol, que jogam por estar perto, que participar para compartilhar, aqueles que sabem que são limitados, e que com isso se divertem, fazem piada e geram amigos, pois a sua limitação reflete a sua necessidade, necessidade do outro, que não se chama mais outro, mais sim Amigo.



Silas lima

A vida é bela e a idéia é nobre.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Círculos

Desde pequeno temos uma forte relação com círculos, quando somos crianças geralmente os brinquedos redondos são os mais preferidos, nossos desenhos buscam formas circulares, nos encantamos com o sol, com a lua cheia, com o globo. As balas são redondas, os chicletes são redondos, os pirulitos são redondos, e assim atrelamos o círculo ao doce.

Crescemos, entramos na escola e lá descobrimos o quanto o círculo é adorado na matemática, ele é sempre sinônimo de perfeição, na adolescência fazemos esportes que giram em torno da bola, a vida segue e o círculo vira símbolo de fidelidade e união, por fim vemos como o círculo nos move, tanto que até hoje pra muitos a maior invenção da humanidade é a roda.




Pois é amigo enquanto vivemos procuramos círculos, eles nos passam confiança, o círculo é um lugar conhecido, dentro dele não nos perdemos, pois nele não existem pontas, tudo está resolvido, não há como falhar, afinal de contas ele é perfeito, coerente, homogêneo, basta ligar o piloto automático e a vida seguirá tranqüila rodando sempre para o mesmo caminho, o círculo é sempre fechado, forte e impenetrável, sendo círculo segue perfeito.


Contudo ouço contestar o Santo Sudário, pois o círculo é injusto, distante, insensível e implacável, o círculo foge das diferentes formas, pois as diferentes formas o enfraquecem, geram pontas, e com pontas ele deixa de ser círculo, deixa de ser perfeito, deixa de ser forte, fica sem forma, contudo enquanto círculo não há vida, a vida sempre está do lado de fora, no sem forma, fraco e desprotegido, no desencontro, no imponderável, pois a vida gera formas que não se encontram.


As linhas da vida seguem sem voltar ao mesmo lugar, conectando-se a outras linhas que se conectam a outras linhas, que de vez em quando cortam o círculo, que vira linha, e virando linha se torna caminho e automáticamente se torna vida.

A vida é bela e a idéia é nobre
Silas Lima

terça-feira, 21 de junho de 2011

O perfeito incompleto

Tenho passado por situações engraçadas na minha vida, algumas coisas tem se mostrado diferentes pra mim, percebo que minhas correntes dogmáticas tem se tornado águas que se dissipam no fim da correnteza, de uns tempos pra cá estou descobrindo novos horizontes, me surpreendendo com a diversidade humana e me reconstruindo diante deste novo norte mutável.


Sempre achei que meus círculos de relacionamentos só seriam completos se nele estivesse incluso pessoas que fossem completas, que seguissem o meu credo e baseado nele me enchesse com todas as respostas que minhas duvidas anseiam.

Digo anseiam, pois essa minha teoria caiu do cavalo, percebi que engajado nesta idéia de me completar, estava gerando relações pesadas onde só havia espaço para respostas e pensamentos filosóficos complexos que na maioria das vezes estavam muito aquém de minhas faculdades mentais momentâneas, de certo modo foi muito bom desenvolvi e descobri coisas maravilhosas que contribuíram muito para minha caminhada, entretanto não dosei, no ímpeto de querer ser o revolucionário da hora, o teólogo da vez, o sábio da turma, entuchei meus verdadeiros amigos com teorias desnecessárias em tempos desnecessários, o silencio se tornou brutal, pois era inadmissível um espaço de tempo sem respostas, o Big Ben tornou-se um monstro que a cada badalada devorava meus anseios.Perdeu-se em mim, o leve, o livre, o nada, o menino, o “bobo”.

Hoje trilho pro singelo, quieto e calmo como uma manhã, pro mistério alegre e solto do silêncio, admiro o fraco, o que não quer, que não almeja, o despretensioso, o simples, aquele que sorri por sorrir, que fica por que quer ficar, que está só para ao meu lado estar, o que perde pra conquistar... conquistar um amigo.

Agora sem sombra de duvidas prefiro os incompletos.

A vida é bela, e a idéia é nobre.



Silas Lima.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O QUERER e o querer


Quando eu QUIS saber, nada sabia, era uma bussola sem ponteiro
Quando eu QUIS ter, nada tinha, era um naufrago solitário
Quando eu QUIS ser, nada fui, era o óculos do cego
Quando eu QUIS conhecer, nada conheci, era um Pôncio de mim mesmo
Quando eu QUIS achar, nada encontrei, era a palavra no dia escasso do poeta

De tanto querer eu nunca quis, nem percebi que o querer possessivo nos leva a tudo, mas no fim nos leva a 
nada, é o caminho do vazio, o presságio do abismo. Quando eu permiti foi quando de fato quis, pois só sabe quem se deixar saber, só tem quem se deixa ter, só é quem se deixar ser, só conhece quem se deixa conhecer, só acha quem se deixa encontrar. 

Parafraseando o Mestre só ganha quem perde e só vive quem morre.
A vida é bela, e a idéia é nobre.
Silas Lima.