terça-feira, 11 de outubro de 2011

Círculos

Desde pequeno temos uma forte relação com círculos, quando somos crianças geralmente os brinquedos redondos são os mais preferidos, nossos desenhos buscam formas circulares, nos encantamos com o sol, com a lua cheia, com o globo. As balas são redondas, os chicletes são redondos, os pirulitos são redondos, e assim atrelamos o círculo ao doce.

Crescemos, entramos na escola e lá descobrimos o quanto o círculo é adorado na matemática, ele é sempre sinônimo de perfeição, na adolescência fazemos esportes que giram em torno da bola, a vida segue e o círculo vira símbolo de fidelidade e união, por fim vemos como o círculo nos move, tanto que até hoje pra muitos a maior invenção da humanidade é a roda.




Pois é amigo enquanto vivemos procuramos círculos, eles nos passam confiança, o círculo é um lugar conhecido, dentro dele não nos perdemos, pois nele não existem pontas, tudo está resolvido, não há como falhar, afinal de contas ele é perfeito, coerente, homogêneo, basta ligar o piloto automático e a vida seguirá tranqüila rodando sempre para o mesmo caminho, o círculo é sempre fechado, forte e impenetrável, sendo círculo segue perfeito.


Contudo ouço contestar o Santo Sudário, pois o círculo é injusto, distante, insensível e implacável, o círculo foge das diferentes formas, pois as diferentes formas o enfraquecem, geram pontas, e com pontas ele deixa de ser círculo, deixa de ser perfeito, deixa de ser forte, fica sem forma, contudo enquanto círculo não há vida, a vida sempre está do lado de fora, no sem forma, fraco e desprotegido, no desencontro, no imponderável, pois a vida gera formas que não se encontram.


As linhas da vida seguem sem voltar ao mesmo lugar, conectando-se a outras linhas que se conectam a outras linhas, que de vez em quando cortam o círculo, que vira linha, e virando linha se torna caminho e automáticamente se torna vida.

A vida é bela e a idéia é nobre
Silas Lima