quarta-feira, 27 de março de 2013

Uma Dia Inteira



Nasce o sol, dá a luz, nascimento que produz,
Diz o dia: começa a vida, diz a vida: começa dia,
Na manhã, novidade, na manhã nova idade,


Casto novo que encanta, palavras, risos, ciranda,
Anda, vibra, dança, faz nascer esperança,
Esquenta, preenche o espaço, mas não preenche o inacabado,
Descobre o doce e a doçura, transforma a dor e a amargura.

Caminha ao passo do anil, inconsequente, juvenil,
Descobre o dia devagar, apressa a vida sem parar,
Estreita o abraço, cria laço, neste momento gera traço,

Encorpa o corpo, ganha o mundo, meio dia, meio tudo, a dama e o vagabundo.
Transforma a vida, produz a cria, se aproxima do fim do dia,

As três da tarde amadurece, sorri com aquilo que não se esquece,
Foge o caminho da solidão, procura o voo do tecelão,
Entende a vida no fim da tarde, se torna amigo da saudade,

Ao fim do dia o sol nunca mais, e lua a lembrança traz.

A vida é bela e a Ideia é nobre.
Silas Lima

sexta-feira, 22 de março de 2013

Mãos de Pilatos


Vivemos uma nova época na história da humanidade, nunca antes a democracia esteve tão bem difundida, a internet e a globalização viraram um grande megafone dos pensamentos humanos, hoje é possível expressar e se mobilizar com muito mais ferramentas do que décadas atrás, movimentos como a Primavera Árabe só são possíveis, devido a este novo mundo, onde todos podem dizer a todos.

Por isso me incomodo grandemente com a imparcialidade, o medo de se posicionar, a conveniência, o mormaço, sei que em algumas situações a neutralidade é sábia, pois na vida nada é absoluto, mas não posso aceitar o silêncio, por pura conveniência, o medo de encarar questões, com o pretexto de não mexer no formigueiro, por isso afirmo não sei lidar com a imparcialidade, prefiro o pensamento contrário à imparcialidade.


A imparcialidade é perversa, busca o conforto, é egoísta, encolhe a mão, fecha as portas, não chove e nem molha, não indica, não ensina, fecha os olhos e abre espaços para as negociatas, falcatruas, injustiça, não lhe permite ser, é o caminho do desencontro - desencontro por que o imparcial se esconde de tal forma que não sabe mais o que é dia e o que é noite, quando vê está encalacrado num abismo regido pelas leis do conformismo.


Tenta não ser injusto, mas mal sabe que a omissão é um ato infiel à justiça, é o primórdio da indiferença, como diz o Engenheiro “Havaiano” “quem ocupa o trono tem culpa, quem oculta o crime também, quem duvida da vida tem culpa, mas quem evita a duvida também tem”.


Uma das "penas" do mundo é o silêncio dos bons, por isso pense, fale e se necessário for mude de opinião, os que não podem ou não possuem a coragem de se posicionar, não se conhecem, não resolvem, não são felizes.


Mesmo errado, os que falam aprendem, enfrentam a vida e descobrem como viver, podem até perder o conforto, mas encontram a paz.

 A vida é bela e a ideia é nobre.