terça-feira, 29 de julho de 2014

O circo da superfície


O espetáculo começou, são luzes, música, interpretação e aplausos... Ah! Também tem o palhaço.

As luzes são lindas, muitas cores, brilho, holofotes e atenção, é o antidoto do breu, esconde bem a escuridão, afinal se não vê não dói, se não vê acredita, pois acredita só no que vê, e quem não vê? O que vê? Quem vê? Talvez tenha algo há ser visto, mas afinal de contas quem quer ver? O espetáculo começou, são luzes, música, interpretação e aplausos... Ah! E não posso me esquecer do palhaço.

A música é perfeita, muito som, dança, agitação e atenção, toca a emoção, esconde bem o que toca, afinal ninguém se toca, a música toca, e quem não toca? O que toca? Quem toca? Talvez tenha algo há ser tocado, mas afinal de contas quem quer tocar? O espetáculo começou, são luzes, música, interpretação e aplausos... Ah! Quase me esqueço, também tem o palhaço.

A interpretação é contagiante, muitas cenas, gestos, diálogos e atenção,  encarna o personagem, esconde bem o ser, afinal de contas ninguém é, eles só parecem ser, pois só é o que parece, e quem não é? O que é? Quem é? Talvez tenha algo há ser, mas afinal de contas quem quer ser? O espetáculo começou, são luzes, música, interpretação e aplausos... Poxa vida ia esquecendo, também tem o palhaço.

Os aplausos são mágicos, barulho, risos e atenção, é o reconhecimento do meu ato, esconde bem os atos, afinal que importa o que eu faço, eu tenho aplausos, e quem não faz? O que faz? Quem faz? Talvez tenha algo a ser feito, mas afinal de contas quem quer fazer? O espetáculo começou, são luzes, música, interpretação e aplausos... e só.


A vida é bela e a ideia é nobre.

Silas Lima

terça-feira, 10 de junho de 2014

Beleza Americana

Por que o céu é azul? Como ele pode ser azul? Como pode vê-lo azul? Será que todos o enxergam azul? Quem disse que ele é azul? Quando ele voltou a ser azul?

Faz tempo que o céu deixou de ser azul, azul é o meu sofá, azul é o meu corpo, azul é a minha mascara, azul é a minha fantasia, azul é a minha casca, azul é a minha capa, azul é a minha mágica, mas o céu não, ele não é azul, o céu tem cor de verdade, tem cor de real, tem cor de vida, tem cor de negro, tem cor de pobre, tem cor de amor, mas não de azul, tudo menos azul.

Azul é o meu carro, azul é o meu ser, na verdade azul é o que parece ser, azul é o portão, azul é o dente, azul é a cor da minha rede social, isso sim é azul, o céu não, confie em mim ele não é azul.

Mas como pode meu Deus, você insiste em dizer que o céu é azul, não é, eu estou vendo, ele é vermelho, branco, verde, roxo, rosa, prata, dourado, creme, entre outras cores, mas não azul, pode perguntar, todos os “Azuis” concordam comigo.

Não entendo como você pode dizer um absurdo desse, acha que eu não sei o que é azul, sei muito bem meu amigo colorido...

Aqui do porão é bem fácil decifrar a cor do céu.

A vida é bela e a ideia é nobre.

Silas Lima

sexta-feira, 21 de março de 2014

Longo Prazo

Como diria os Titãs: “é caminhando que se faz o caminho”.

Os melhores valores da vida são valores construídos em longo prazo, não se ama da noite para o dia, ninguém é honesto desde ontem, ninguém vira amigo em 2 horas, não se chora no ombro de quem você conheceu a meia hora.

O caráter é algo que se forja na estrada, no decorrer dos passos, no meio do dia, contudo nesses dias onde tudo é de curto prazo, como gerar pessoas de longo prazo?

Nessa loucura da reengenharia, vivemos a deriva de tudo, pois a cada instante tudo pode virar, nunca sabemos se teremos um emprego amanhã, se morreremos num assalto, se o nosso vizinho mudará de última hora, se seremos traídos, roubados, etc...

A insegurança, o pânico, o medo, viraram grandes aliados do caminho moderno, é a insegurança econômica, a síndrome do pânico, o medo de perder, o que nos leva sempre ao caminho mais curto e “seguro” que na verdade é o caminho da fuga, fuga da vida. Nesse caminho nada se forja, nesse caminho nos perdemos antes mesmo da largada, tudo é fugaz, efêmero, oco, vazio, sem valor, sem calor, sem sabor… sem amor.

Sé é para correr, corra para achar o que perdura, se tudo muda na vida, alguma coisa tem de ficar, tem de haver uma casa que não muda de endereço, um caminho que eu faço de olhos fechados, um abraço com que eu possa contar, um alguém que sempre vai estar… uma lembrança que nunca vai faltar.

É bom ter algo longevo, que nos acompanhará nessa longa estrada da vida, por isso insista naquilo é longo, pois a chance de encontrar algo de valor no KM 3, é bem menor do que no KM 100.
 
A vida é bela e a ideia é nobre.

Silas Lima.