quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ferimos Deus


Todo processo opressor, todo gesto indiferente, todo silencio e omissão fere Deus.
Não porque um oprimido, um carente, um pobre, um doente ou um necessitado deixou de ser atendido, não porque quem podia abraçar cruzou os braços, ou porque quem podia gritar um grito de denuncia se calou, ou porque quem viu fingiu esquecer, ou porque quem estava perto se afastou, ou porque o amado se tornou indiferente e não amou.

Deus participa da história, de modo altruísta, preocupado com a vida e com quem vive, não dirigente, mas sim torcedor, não governante, mas sim professor, não dono, mas sim sócio, não chefe, mas sim Pai...conosco, entre nós, em nós.

Deus se fere não porque alguém sente fome, ou porque alguém sente frio, ou porque alguém chora, Deus se fere porque Ele sente fome, porque Ele sente frio, porque Ele chora, porque Ele está só, porque Ele é desprezado, esquecido, ignorado, espancado, Deus se fere porque Ele está lá com os seus pequeninos, que tem fome e não tem o que comer, que tem sede e não tem o que beber, que tem frio e não tem como se aquecer, que é carente e não tem quem o acaricie, que erra e não tem quem o ensine, que foi mal educado e tem quem o queira prender.

Deus está para além do Eu e é encontrado no Nós.

 

A vida é bela e a idéia é nobre.

Silas Lima