sábado, 21 de novembro de 2015

Devaneios

Quem incriminou o abraço?

Quem nos tirou a capacidade de chorar pelo outro?

Quem nos tirou a possibilidade de sentir a dor alheia?

A vida só tem sentido quando o abraço fala mais alto que a razão, quando o raciocínio se perde ante a um beijo, quando esquecemos os argumentos para se conectar ao coração.

O mundo é por demais desconhecido e com certeza jamais descobriremos o que move as entranhas de um ser, são tantas condições, conjunturas, circunstâncias, toda exatidão nos tira a chance de nos encontrar no outro.

Esse mundo que distancia as pessoas, mata, não porque armas são levantadas, mas porque os abraços foram trocados, por um mundo de algodão envolto de cores separadas por palavras que tentam sem sucesso resumir vida em livros e frases.

Palavras que por sinal jamais conseguirão expressar o que há de mais visceral, jamais conseguirão dizer a intuição, o sentimento, o coração.

Nesse mundo onde ninguém se aproxima, o caminho obvio é a distância que esfria a alma, que não dá chance dos opostos se compreenderem, que transforma o outro em superfície, que não permite o mergulho no oceano distinto e único que é o outro.

É necessário perdão, é necessário se construir o mundo que se quer passo a passo, é necessária mais face e menos “faice”, o bom combate é combatido com flores, com danças, com risos e caricias, mais conversas e menos conservas, mais chatos e menos chats, a vida se faz no fazer, no ser, no passo.

Só é possível transformação com compreensão, só se acaba com a dor com amor, só se ama com chocolates, beijos, abraços, ouvidos.

Abandonem os "contatos" e se toquem, esqueçam a velocidade da conexão e se apressem em se conectar, o mundo precisa urgentemente que lhe doa toda incompreensão, que diante disso se deem as mãos, as mães, os pais, os filhos, irmãos.

A maldade não está no que as pessoas têm, a maldade está no que as pessoas são, quem só tem nada é, quem é nada precisa ter.

Encarecidamente peço olhe menos para o livro, olhe mais para a vida, troque o caderno e escreva no coração de quem lhe conheceu, quem sabe assim o livro da sua vida pode encantar de maneira genuína e gerar compreensão.

Toda imposição por mais bela que seja, é imposição, somente no pássaro dentro da gaiola aberta é possível encontrar o verdadeiro bem.

#maisamorporfavor

A vida é bela é a ideia é nobre


Silas Lima

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

É muito maior

Como pode a vida ser reduzida?

São tantos meandros, caminhos, talentos, tantas pessoas, culturas, terras, línguas, ideias, ideais, histórias, expressões, gestos, beleza, problemas, angustias, alegrias, dores, soluções, como pode ela ser reduzida?

Como pode essa vida tão diversa, tão plural, ser reduzida?

Como reduzir o que não se sabe o tamanho?

Como totalizar o conhecimento de algo que não conhecemos e nem vamos conhecer em sua totalidade?

Não somos capazes, não temos tempo. Como posso eu pensar que defini o indefinível, que dei fim ao que é infinito?

Em nossa incapacidade de se colocar no lugar do outro, procuramos no universo alguma coisa que possa reduzi-lo, que possa defini-lo, me livrando assim do árduo trabalho de entende-lo.

Estamos prontos a combater, pois temos a pretensa arrogância de achar que nossos ideais são suficientes para todas as questões da vida, e assim a reduzimos.

Nos apegamos ao superficial julgamento dos iguais, dos grupos, dos chats, dos posts e assim espalhamos gigantes preconceitos. Nos afastamos do diálogo, promovemos uma espécie de apartheid intelectual, e o diálogo que poderia promover compreensão, gera uma digressão, afastando cada vez mais aqueles que ao simples toque poderiam se entender.

Pensamos num mundo ideal para todos, exceto para aqueles que pensam diferente de nós, por sinal os que pensam diferente são exatamente o pior oposto de nós, sempre reduzimos o total do outro, mas não somos totais, somos partes que se encontram e se desencontram, amam aqueles que priorizam o que nos une.

Sinceramente sonho por um mundo de encontros, eles são capazes de laçar os distintos, de ligar o que há de igual nos diferentes, um mundo de menos postagens e mais abraços, de menos grupos e mais comunidades, de menos frases e mais conversas, de menos selfies e mais desenhos.

O vínculo é incapaz de encolher a vida, a cada toque o outro se apresenta como um novo mundo, e amar é o difícil e trabalhoso processo de gerar vida em outros mundos.

Viva pelo amor que constrange, que ante a agressão ama, que ante ao mal ama, que ante a ofensa ama, só ele é capaz de nos humanizar.

Por mais que alguns acreditem ele não se traduz em 140 caracteres, ele é sentido no ato de se colocar no lugar do outro.


A vida é bela e a ideia é nobre

Silas Lima

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ferimos Deus


Todo processo opressor, todo gesto indiferente, todo silencio e omissão fere Deus.
Não porque um oprimido, um carente, um pobre, um doente ou um necessitado deixou de ser atendido, não porque quem podia abraçar cruzou os braços, ou porque quem podia gritar um grito de denuncia se calou, ou porque quem viu fingiu esquecer, ou porque quem estava perto se afastou, ou porque o amado se tornou indiferente e não amou.

Deus participa da história, de modo altruísta, preocupado com a vida e com quem vive, não dirigente, mas sim torcedor, não governante, mas sim professor, não dono, mas sim sócio, não chefe, mas sim Pai...conosco, entre nós, em nós.

Deus se fere não porque alguém sente fome, ou porque alguém sente frio, ou porque alguém chora, Deus se fere porque Ele sente fome, porque Ele sente frio, porque Ele chora, porque Ele está só, porque Ele é desprezado, esquecido, ignorado, espancado, Deus se fere porque Ele está lá com os seus pequeninos, que tem fome e não tem o que comer, que tem sede e não tem o que beber, que tem frio e não tem como se aquecer, que é carente e não tem quem o acaricie, que erra e não tem quem o ensine, que foi mal educado e tem quem o queira prender.

Deus está para além do Eu e é encontrado no Nós.

 

A vida é bela e a idéia é nobre.

Silas Lima

quarta-feira, 4 de março de 2015

Encontros e Desencontros


A vida é uma coisa muito complexa, uma teia de decisões que desencadeiam inúmeras consequências incontroláveis, consequências que transformam caminhos, direções e rumos da vida de inúmeras pessoas.

Como não temos controle do que decidimos, tendemos a evitar drásticas mudanças, nos mantemos o máximo que podemos na estrada conhecida, no mesmo passo, sem se posicionar diante do que está a nossa frente, muitas vezes nos silenciamos ante ao mal, receosos com o porvir nos mantemos sem lutar pelos nossos valores, temos total ciência de que o caminho que estamos não é o melhor, mas por medo do pior, fechamos os olhos para as saídas a beira da estrada, até porque vivemos a espreita de que o caminho melhore repentinamente, na esperança de que tudo vai mudar sem que nos seja necessária uma mudança.

Afinal de contas, andar onde nunca se andou é difícil, perigoso, desconhecido, nos enche de temores. Tememos o que vão pensar, tememos sair antes da hora, tememos machucar os outros, tememos estar enganados, tememos o que há vir, e por isso insistimos, e um monte de saídas vão ficando para trás, e a cada passo menos saídas aparecem pela frente.

Lá na frente corremos o risco de perceber que pra mudar é necessário recomeçar, voltar ao inicio da estrada, e voltar ao inicio da estrada depois de andar mais da metade dela é cruel, pois exige-se muita perícia para fazer a curva acentuada sem causar nenhum acidente, requer muita coragem.

Não se pode abandonar o presente na esperança de um futuro, pois só há esperança no futuro se cuidamos do presente, nem se pode extinguir o momento por saudosismo passado, coisas novas podem ser tão boas quantos as que já foram boas, cada passo deve ser encarado com intensidade e coragem, pois a vida que passa, nunca mais irá passar de novo e só nos restará lamentar pelo que passou, cuide do agora, para que o amanhã possa ser mais leve.

Por fim suplico, não se tarde em viver,  ainda há um tempo antes do entardecer.  

A vida é bela e a ideia é nobre

Silas Lima