quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Zé Silaudo

Hoje meu tio faleceu, ele era um contraventor, tinha uma inteligência e um orgulho ímpar, essa mistura, aliada a sua educação falha, o deixava indecifrável, um homem capaz de convencer alguém de que viver era bom, morreu da pior forma que o viver pode dar, sozinho num quarto de uma pensão, certamente alcoolizado, encontrado por um alguém desconhecido, quase foi enterrado como um indigente. 

Me lembro da brincadeira de perguntas e respostas sobre conhecimentos gerais, que ele fazia comigo quando eu tinha 7 anos, daí se percebia o quanto o bicho era diferente, um garoto de 7 anos quer jogar bola, brincar de carrinho, jogar vídeo game, brincar na rua, mas ele conseguia me prender atenção com perguntas como: quem é o presidente da Rússia? Qual é a moeda oficial do Japão? Porque não se teve copa do Mundo de 38 até os anos 50? Quem foi Adolf Hitler? Em qual região do Brasil fica o Pará? 

Meu tio era diferente, por vezes estranho, por vezes orgulhoso, por vezes boa praça, por muitas vezes encantador e por muitas outras irresponsável. Não era um exemplo em muitos quesitos, era um tanto “muquirana”, espertalhão, usava da sua inteligência para se favorecer, vendia até um maço de cigarros sem cigarros com sua lábia, ligava demais para a sua aparência.

Contudo ainda assim, foi com ele que aprendi a dar atenção à todas as pessoas, dizia ele que todo ser humano é interessante, que toda história tem valor e que todo mundo merece ouvidos, foi com ele que aprendi, “conhecimento é o bem que ninguém pode lhe roubar”, ele estudou somente até a quarta série, mas sempre me incentivou a estudar até o fim da vida.

A vida do meu tio foi torta, de fato foi, mas qual vida não é? Talvez tenha tido altos e baixos, mas qual vida não tem? Talvez ele não soube lidar com algumas decepções, mas quem já não soube lidar? Talvez ele tenha se encantado com o que lhe desencantou, mas quem não se decepcionou nessa vida? Talvez ele tenha se entregado ao vício... talvez ele tenha vivido.

Mas certamente uma coisa ele fez... 

Tio eu nunca esqueci, a moeda oficial do Japão é o Iene.


A vida é bela e a ideia é nobre

Silas Lima

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Maceió (Ponta Verde) #11/20

Cheguei em Maceió, após uma longa e exaustiva viagem, confesso já estou afim de voltar, viajar sozinho tem prazo de validade.

Acho que cheguei ao ponto final, não tenho mais como cair, só há um caminho, voltar a andar, dar um rumo ao meu caminho, essa é a hora. Nesses dias provei de tudo que podia provar, solidão, saudades, medo, paz, alegria, fiz coisas que nunca imaginei fazer e isso me elucidou.

Me escutei, me testei, me provei, agora sei bem o que quero, seguirei e ei psiuuuu... espero você ao meu lado.   

Só quem vai pode voltar...

A vida é bela e a ideia é nobre
Silas Lima


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Salvador (Pelourinho) #10/20

Pelourinho, nunca havia estado em um lugar tão rico, tá certo que não fui em muitos lugares na vida, mas esse curto pedaço de terra é tão abastado de memória, história e cultura brasileira que fiquei fascinado.

A história da catedral da sé, a casa de Jorge Amado, o fato de ter sido a primeira capital do Brasil, o elevador Lacerda, a casa do Olodum, a sacada onde ficou Michael Jackson, a arquitetura riquíssima e preservada, a estátua de Zumbi dos Palmares, a cruz caída, que lugar, que lugar, que lugar.

Me despertou também a atenção o ecumenismo desse espaço, ele é rodeado de catedrais católicas e símbolos do cristianismo, tanto quanto é um símbolo do candomblé e outras religiões africanas, como pode isso conviver harmoniosamente.

Sabe, fui criado em um círculo religioso doente, no meio de gente que se sentia acima dos outros por se acharem eleitos do Divino, pensava de modo radical e fanático sempre achando que possuía a verdade de tudo, por vezes coloquei o meu credo acima da vida, olhava para os outros que não eram da minha fé, como condenados ao “inferno”, e minha função no mundo era salva-los dessa condenação.

Mas quem sou eu, para dizer quem irá para o céu ou inferno? Por acaso tenho eu acesso ao livro e/ou registro de quem vai para o céu ou para o inferno? Nem posso provar que o céu ou o inferno existem, quanto mais dizer quem irá habitar nesses lugares.

Até sou Cristão, daqueles que acreditam em Jesus e tudo mais, mas longe de mim te forçar a acreditar nisso, posso até te dizer o quanto Cristo é encantador para mim, na esperança que você se encante por Ele também, mas nem o próprio Cristo bom e amoroso, iria lhe impor isso.

O que tenho como Cristão é uma proposta de vida, onde o amor está acima de tudo, e o que me cabe é te amar, afim de que meu amor te impulsione a amar também, seja você o que for.

Não acredito que o mundo irá mudar quando todos aderirem meu credo, até porque tem muitos que professam minha fé, mas são nefastos e maus.

Acredito que o mundo será melhor quando todos se amarem, pois aprendi com alguém que amo, que o amor sempre vence.

Só quem vai pode voltar...

A vida é bela e a ideia é nobre

Silas Lima

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Salvador (Fonte Nova) #09/20

Volto a escrever sobre futebol, pois ontem fui assistir Bahia vs Chapecoense na Arena Fonte Nova.

Eu pensei que não iria mais escrever sobre futebol, um texto já estava bom, pois no Rio o povo trata o futebol mais ou menos como se trata em São Paulo, pensei que fosse assim no Brasil todo. Mas aqui na Bahia o negócio é diferente, talvez porque no Rio e em São Paulo existam 4 times grandes, e aqui em Salvador só tenha Bahia e Vitória, pode ser também que o número de habitantes influa no comportamento dos torcedores, não sei qual é a explicação, o que sei é que aqui na Bahia em dia de jogo o negócio ferve.

Desde manhã, se percebe que o dia é diferente, as pessoas saem para a rua, o transito fica caótico, olha que sou paulista, e confesso me impressionei com o transito daqui. Nos bairros em cada esquina, tem um pessoal tomando uma cerveja com a camisa do seu time, seja num bar, seja numa barraca de acarajé (coisa que tem demais aqui), é um “Bora Bahea” para cá, um “Bora Leão” para lá, tudo ao som de um bom pagode no volume mais alto (pagode para eles é axé para nós paulistas), gente dançando, gente sorrindo, gente brigando, é uma intensidade, uma pimenta, é impossível não se envolver.

No caminho para o Estádio a coisa vai ficando cada vez mais quente, sério aqui tudo parece mais escandaloso (no bom sentido), tudo é festivo, parece que todo mundo se conhece, em todo lugar há um ar amigável, minha família que me acompanhou ao estádio é toda Vitória, mas estava sem medo algum de brincar com isso, mesmo sendo no meio da torcida do Bahia.

Ao entrar na Arena Fonte Nova, todo a preparação da cidade, parece ter o seu ápice, é um barulho, um batuque, uma alegria. O jogo era contra a chapecoense e justamente na semana aonde se completava um ano da queda do avião na Colômbia, havia uma faixa gigantesca no meio da torcida do Bahia, com o nome de todas as pessoas que morreram no voo, acompanhada da frase, “somos todos Chape”, isso só potencializou o clima de amizade.

O jogo foi ruim para o Bahia, a Chapecoense ganhou, acho que eu fui um pé frio, mas nada mudou o clima da cidade, em Salvador o futebol só é um pretexto, pois o que importa é a festa.

Me disseram que em dia de Ba-Vi é outra coisa, mas isso infelizmente ficará para uma próxima.

Só quem vai pode voltar...

A vida é bela e a ideia é nobre
Silas Lima


domingo, 26 de novembro de 2017

Salvador (Saudade) #08/20

Cheguei em Salvador, vim para ver minha família, tenho uma tia e dois primos que não os via desde os meus 14 anos, havia uma ansiedade natural e uma saudade monstra, nosso distanciamento foi um pouco conturbado, mas nada que o tempo não pudesse curar.

Quando eu entrei na casa de minha tia, foi incrivelmente emocionante, tanto tempo, tanta história, tanto amor, tanta saudade e tudo se transformou em muito choro, muito abraço, muito beijo, natural daqueles que esperam pelo encontro a tanto tempo.

Matar essa saudade, por incrível que pareça me deu mais saudades, fiquei com saudades do que tenho em São Paulo, senti saudades do cheiro do seu perfume, dos meus pais, dos meus irmãos, dos meus amigos, senti saudades. 

Me prometi nunca mais ficar 15 anos sem ver alguém que eu amo, nunca mais mesmo. A saudade é um sentimento ingrato, diria um amigo que ela é o amor ainda pulsando, mas ao mesmo tempo é a dor eterna dos que amam, é inevitável, quem ama sente saudade, por conseguinte sofre.

Como se evita essa dor? Como não sentir Saudades? Só tenho uma maneira, se encontrar, essa é a única forma de não sentir essa dor.

Por isso lhe peço vá ao encontro de quem você ama, não meça esforços, apenas vá, no fim da vida, ninguém lamenta o carro que perdeu, ou casa que não comprou, mas sim o beijo que não deu, ou o abraço que desperdiçou.

Pois talvez a vida se resuma aos encontros que temos, por isso espero que nos encontremos em breve.   

Só quem vai pode voltar...

A vida é bela e a ideia é nobre

Silas Lima

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Itacaré (Samba) #07/20

Hoje passei em frente a um botequim aqui em Itacaré, e lá tinha uma banda fazendo um bom samba ao vivo, vi alguns gringos na frente do bar, que estavam bem tímidos, mais a medida que o samba rolou, eles foram se soltando e de repente estavam todos, com aquele bom e velho quadril estrangeiro (duro), dançando e se divertindo envolvidos pelo ritmo brasileiro, eles nem sabiam dançar, mas estavam realmente felizes, isso me encantou.

Tudo bem, não sou um amante do Samba, eu gosto de rock, admiro Adoniran Barbosa, mas ouço Bono Vox, acho o Martinho da Villa legal, mas no meu carro toca Bruce Springsteen, Fundo de Quintal tem o meu respeito, mas prefiro o Coldplay.

Contudo quando se trata de retratar o Brasil, dou a mão à palmatória, não há ritmo melhor que o Samba, me perdoe os forrozeiros, mas no Samba está a raiz do Brasileiro, o Samba diz o Brasil.
Sabe esse povo sofrido, que se parar para pensar tem muitos motivos para chorar, lamentar, protestar, mas ainda assim encontra tempo e forças para sorrir, para dançar, é esse o povo do Samba, é esse o povo do Brasil.

Na maioria dos brasileiros corre o sangue escravo, e deles veio essa força, deles veio essa gana, deles veio essa alegria que desentorta o mal, que reinventa a vida, que faz do quadrado uma bela esfera, pois o riso é uma força vital que dá sentido à vida, o esforço de sorrir engradece a vida, como diz o Maglore, quem encontra forças para se alegrar, guia seu coração de forma branda e consegue seguir em frente.

Tal como os escravos africanos/brasileiros e seus batuques que deram origem ao samba, nos reinventamos todo dia em busca de um sentido, e toda vez que nos alegramos genuinamente, dizemos que sim, há sentido na vida, talvez ele seja simples, tal como um sorriso é, mas se lhe der coragem e forças de se levantar no dia seguinte, está valendo, pois deu samba.

Só quem vai pode voltar...

A vida é bela e a ideia é nobre
Silas Lima


Itacaré (BR 101) #06/20

Estou me sentindo um aventureiro, uma espécie de Indiana Jones da Mooca, hoje certamente foi o dia mais maluco da minha vida, um dia cheio de histórias boas para contar, por sinal vou registrar que esse texto é para minha velhice, pois aconteceram tantas coisas inusitadas que preciso marcar, um dia vou contar para os meus netos.

Logo cedo, antes de me despedir de Vila Velha fui na fábrica da Garoto e me senti como se estivesse em Nova York comprando MM´s na loja da MM´s, me transformei num garotinho (desculpem o trocadalho do carilho), dali parti rumo a Bahia, andei por cerca de 4 horas sem grandes surpresas, estrada relativamente boa, ouvindo um bom som e curtindo a paisagem.

Por volta do meio dia parei numa churrascaria de beira de estrada em Conceição da Barra – ES para almoçar, ali comi o melhor churrasco da minha vida, me empanturrei literalmente, antes de sair da cidade parei no posto de gasolina para abastecer o carro, pois ainda tinha 6:30hrs de viagem, fui cantando escancaradamente pela frentista do posto, fiquei sem jeito com a “ousadura” da moça e logo fui me embora de volta ao meu caminho, parei na divisa entre o ES/BA para bater uma foto, depois de uns 100 km parei novamente para bater outra foto dessa vez da paisagem que me encantou, pedras, falésias, lagos e muito mato.

Depois de mais uns 50 Km já eram umas 16hrs, me deparei com um transito caótico ao ponto das pessoas descerem do carro, estava tudo parado, me juntei a uma roda de motoristas para descobrir o que estava acontecendo, uma carreta com produto químico havia tombado na estrada e ninguém podia passar antes que produto fosse retirado, as informações eram que a equipe que retiraria o produto só chegaria por volta das 02hrs da manhã, minha estimativa de chegada em Itacaré passou das 20:30hrs para às 07hrs da manhã seguinte, dormiria na estrada.

Nesse meio tempo fiz amizade com um bom baiano chamado Ador, que estava a caminho de Alagoinhas e não podia esperar, então estava um pouco ansioso e eu percebendo sua ansiedade tentava acalma-lo, até que passou um rapaz dizendo que sabia de um desvio pelas estradas de terra a cerca, Ador pensou em ir, mas ficou receoso de ir sozinho, eu como não tinha nada a perder disse que o acompanharia, caso desse algum problema um ajudaria o outro.

Seguimos o caminho proposto pelo motorista desconhecido e nos deparamos com uma ladeira onde nenhum carro estava conseguindo subir, todos tentavam, mas os carros derrapavam e eram obrigados a descer, até que um senhor simples morador do local deu uma boa dica de como subir a ladeira, dito e feito seguimos a dica do senhor e conseguimos subir, assim voltamos para BR 101, Ador seguiu seu caminho e eu o meu, pronto agora minha estimativa de chegada em Itacaré mudou para as 23hrs, bem melhor que as 06hrs da manhã.

Segui o caminho já sem a luz do sol e tudo ficou bem difícil, a BR 101 é mal sinalizada, sem iluminação e refletores de chão, minha atenção teve de ser redobrada, estava com medo, até que me deparei com um rapaz pedindo carona no meio da escuridão, e com muita coragem decidir parar, seu nome era Ítalo e estava indo para Salvador visitar a família, mas como não tinha dinheiro para tal, estava vindo desde o Rio de Janeiro pedindo carona, eu então resolvi ajuda-lo com uma carona até Ilhéus, no caminho enquanto conversávamos nos deparamos com um animal felino na estrada, Ítalo disse que era um Cachorro do Mato, mas eu tenho certeza que era uma onça “braba”, quase atropelei o bicho, mas consegui desviar.

Chegando em Ilhéus me despedi de Ítalo e aproveitei para tomar um café num bar, beira estrada, e ali conheci Binho, um garçom do Interior da Bahia, que estava em Ilhéus para ganhar um “dinheirinho” e ajudar a família, trocamos um bom papo e ele não quis cobrar o café, disse que fui atencioso e o café era só um real, ficava como cortesia da casa, não recusei a cortesia e segui em frente.

Cheguei em Itacaré por volta das 00hrs, a pousada aonde eu me hospedaria estava fechada, então não tinha aonde dormir, peguei meu violão e fui para a praia, lá me encontrei com um pessoal hippie que certamente não se lembrará de mim, mas ficamos tocando violão até umas 04hrs, depois disso dormi um pouco no meu carro. Agora consegui entrar no quarto para contar essa grande aventura.

Admito que nem tudo que escrevi é verdade, mas também nem tudo é mentira, mas como esse é um registro para minha velhice, é desse modo que meus netos me ouvirão contar.

Só quem vai pode voltar...

A vida é bela e a ideia é nobre
Silas Lima



quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Vila Velha (Família Galvêas) #05/20

Como eu curti o Espirito Santo, especificamente Vila Velha e Vitória, que lugar bonito, essa areia da praia de cor mais forte, que contrasta com esse verde lindo do marzão de Deus, essa terra é linda demais e precisa ser mais conhecida, provavelmente você como eu nunca ouviu falar do convento da Penha, ou do palácio Anchieta ou da beleza da costa em Vila Velha, os próprios Capixabas sabem disso, mas até gostam de ser um pouco “esquecidos”, assim esse lugar fica só para eles.

Entretanto por mais que eu tenha muito a falar das belezas desse local, não tenho como não escrever sobre a família Galvêas – fui acolhido por eles aqui no ES, pois quem de fato faz um local, são as pessoas que ali vivem, as lembranças mais profundas não estão conectadas as belezas que vimos, mas sim a beleza das pessoas que conhecemos, até sentimos falta do mar, da areia, mas das pessoas temos saudades.
  
E a família Galvêas já me deixa com saudades, eles não só me acolheram, eles cuidaram de mim, me trataram como um da casa, desde o quarto todo preparado para mim até o pedido para eu colocar minha escova de dentes junto as da família, não me senti em nenhum momento como um visitante, mas sim como um parente.

Andréa e seu coração gigante, sempre preocupada com as pessoas a ponto de se angustiar por um amigo, buscou o tempo todo fazer da minha estadia algo prazeroso; Flávia e calma na fala, fala essa que não esconde a sua inteligência, me prestou uma atenção encantadora, me explicou todos os detalhes de Vila Velha; Dona Louretti que cuidado, uma pediatra apaixonada, só pelo brilho no olhar se percebe a paixão em cuidar e ajudar as pessoas, me deixou à vontade em sua casa; e Seu Mauricio um cardiologista bom de papo, que gosta de doces tanto como eu, com uma fala agradabilíssima, juro que passaria horas ouvido as boas histórias que tem a contar, certamente voltarei para ouvir mais e mais histórias.

Dizem que atenção e cuidado são os maiores bens que se pode dar para uma pessoa, e na casa da família Galvêas fui atendido e cuidado. Jamais conseguirei retribuir, mas prometo jamais esquecerei, vocês com certeza me deram lembranças que me tornaram uma pessoa melhor.

Vim ao encontro do Espirito Santo e nessa casa encontrei Espíritos Santos, obrigado Vila Velha, obrigado Vitória e muito obrigado Família Galvêas.

Só quem vai pode voltar...

A vida é bela e a ideia é nobre

Silas Lima

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Vila Velha (Itaparica) #04/20

Os gregos antigos diziam que a felicidade estava em alcançar a paz na alma, ou seja, feliz é quem vive sem incômodos, sem perturbações.

O comum da vida é o silencio, passaremos a maior parte da nossa vida em silencio, conectados apenas conosco, e por isso fugir do silencio é em algum sentido fugir de si mesmo, estamos cada vez mais tentando o tempo inteiro preencher o nosso tempo, pois ter um tempo vago, é ter que se deparar com o silencio, e por conseguinte se deparar conosco.

Confesso que ultimamente se deparar comigo mesmo é duro demais, tomei decisões duríssimas nos últimos tempos e as vezes tenho medo de ter me perdido, então o silencio me assusta.

Mas hoje cheguei em Vila Velha – ES, e a calmaria desse lugar - especialmente da praia de Itaparica, me obrigou ao silencio, me convocou a conversar comigo mesmo, me colocou numa sala onde só havia eu e eu mesmo, e não teve jeito, tive que me ouvir, tive que olhar para dentro de mim. 

Assumo, me assustei, estou tão cheio de medos, estou fraco, estou fragilizado, com dores e precisando de cuidado, meu cansaço está negligenciando meus amigos, minhas relações, estou acordando diariamente lutando em busca de um caminho, um sentido e não tá fácil, mas por mais que isso pareça ser a perdição, eu me encontrei, eu me enxerguei, percebi que não estou mais perdido, estou apenas parado e preciso começar a andar.

Contudo a conversa de hoje ainda não foi o bastante eu não consegui descobrir por onde ir, é difícil, ainda estou me conhecendo de novo, mas me prometi uma coisa, não deixarei mais de me ouvir...

Só vai quem pode voltar...

A vida é bela e a ideia é nobre

Silas Lima 

Rio de Janeiro (Maracanã) #03/20


Sempre me incomodei com o fato de haver poucas expressões artísticas a respeito do futebol, existem poucas músicas, poucos textos, poucas pinturas, poucos poemas, poucos livros, poucos filmes, eu não posso negar que existem sim expressões relevantes, mas é pouco para o tanto que o futebol é gigante em nossa cultura.

Por isso humildemente vou me propor a escrever sobre o futebol, afinal de contas hoje fui ao Maracanã e foi incrível.

Antes de tudo quero confessar que fui proposto a torcer contra o Fluminense, aquela queda de 2013 salva no tapetão não me desce, o Fluminense precisa pagar a série B, tanto quanto o seu Madruga precisa pagar o aluguel. Cheguei ao “Maraca” camuflado, pois eu estava no setor da torcida do Flu e não podia dar nenhum sinal de que estava torcendo contra, já estava preparado para fingir sentimentos e pensando em como comemorar um gol da Ponte Preta sem ser notado, cheguei uma hora antes do início da partida e me sentei num local aparentemente isolado, aonde não seria “percebido”.

Contudo a medida que o estádio enchia, fui cercado por torcedores do Flu e como em todo o estádio de futebol do mundo, fui envolvido nos assuntos a respeito do tricolor carioca. O jogo começou e o seu Marcio que estava sentado ao meu lado com seu filho Gustavo começou a me tratar como seu eu fosse intimo dele, a cada lance frustrante ele “cornetava” para mim: “me diz como pode o Scarpa errar um passe desse”; “oh meu filho, porque o Henrique Dourado está saindo da área"; “me explica garoto, porque o Marcos Junior não divide uma bola”. Ele me tratou como um da casa e eu não consegui contraria-lo, sem perceber lá estava eu, apreensivo em cada lance que o Fluminense errava e sem perceber já estava revoltado com o Juiz por não ter dado pênalti para o “meu Fluzão”, e foi assim, torci para o tricolor carioca, esqueci de minhas ressalvas e vibrei como um carioca os dois gols do Fluminense, até abracei o seu Marcio, o Gustavo e um punhado de outros tricolores, afinal de contas quando sai gol todo mundo é amigo, todo mundo se ama, todo mundo se abraça.

O futebol é certamente como diz o Milton Neves: “a coisa mais importante entre aquelas que são menos importante”, a paixão que move um torcedor para o seu time é inexplicável e chega a ser irracional, mas paixão não se explica, paixão se sente, é um sentimento que nos toma o controle, que nos conecta ao que há de mais verdadeiro em nós. É claro que devemos ser guiados pela razão, mas triste é o ser humano que não possui uma paixão.

Obrigado Rio, você é uma cidade maravilhosa, te curti demais, você quase me convenceu que bolacha é biscoito.

Só vai quem volta...


A vida é bela e a ideia é nobre

Silas Lima