sexta-feira, 4 de setembro de 2015

É muito maior

Como pode a vida ser reduzida?

São tantos meandros, caminhos, talentos, tantas pessoas, culturas, terras, línguas, ideias, ideais, histórias, expressões, gestos, beleza, problemas, angustias, alegrias, dores, soluções, como pode ela ser reduzida?

Como pode essa vida tão diversa, tão plural, ser reduzida?

Como reduzir o que não se sabe o tamanho?

Como totalizar o conhecimento de algo que não conhecemos e nem vamos conhecer em sua totalidade?

Não somos capazes, não temos tempo. Como posso eu pensar que defini o indefinível, que dei fim ao que é infinito?

Em nossa incapacidade de se colocar no lugar do outro, procuramos no universo alguma coisa que possa reduzi-lo, que possa defini-lo, me livrando assim do árduo trabalho de entende-lo.

Estamos prontos a combater, pois temos a pretensa arrogância de achar que nossos ideais são suficientes para todas as questões da vida, e assim a reduzimos.

Nos apegamos ao superficial julgamento dos iguais, dos grupos, dos chats, dos posts e assim espalhamos gigantes preconceitos. Nos afastamos do diálogo, promovemos uma espécie de apartheid intelectual, e o diálogo que poderia promover compreensão, gera uma digressão, afastando cada vez mais aqueles que ao simples toque poderiam se entender.

Pensamos num mundo ideal para todos, exceto para aqueles que pensam diferente de nós, por sinal os que pensam diferente são exatamente o pior oposto de nós, sempre reduzimos o total do outro, mas não somos totais, somos partes que se encontram e se desencontram, amam aqueles que priorizam o que nos une.

Sinceramente sonho por um mundo de encontros, eles são capazes de laçar os distintos, de ligar o que há de igual nos diferentes, um mundo de menos postagens e mais abraços, de menos grupos e mais comunidades, de menos frases e mais conversas, de menos selfies e mais desenhos.

O vínculo é incapaz de encolher a vida, a cada toque o outro se apresenta como um novo mundo, e amar é o difícil e trabalhoso processo de gerar vida em outros mundos.

Viva pelo amor que constrange, que ante a agressão ama, que ante ao mal ama, que ante a ofensa ama, só ele é capaz de nos humanizar.

Por mais que alguns acreditem ele não se traduz em 140 caracteres, ele é sentido no ato de se colocar no lugar do outro.


A vida é bela e a ideia é nobre

Silas Lima

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