sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Vencer

Vencer é o clichê, todo mundo quer vencer, nós nascemos para vencer, é o que se espera de nós, é o sonho dos nossos pais, e a cobrança do mundo.

Mas afinal o que é vencer?

Muitos diriam que vencer é conquistar, é ter, é ganhar, ser bem sucedido, vence na vida aquele que tem um bom emprego, o carro do ano, um apartamento na Vila Olímpia e uma casa na praia, aquele que não titubeia, que não chora, pois nada o derruba, ele é um vencedor, vence quem ganha o jogo, quem é o melhor, é como dizem... Que vença o melhor.

Mas afinal o que é vencer?

Gandhi disse que é um desejo, o desejo de vencer, Thomas Edison disse que é tentar outra vez, Simom Bolivar disse que é uma arte que só se encontra na derrota, Rui Barbosa disse que é lutar, e Napoleão disse que é não temer.

Mas afinal o que é vencer?

Me encuca o fato do Marcelo Camelo (Los Hermanos) não querer ser um vencedor, pois como pode alguém não querer ganhar, chegar primeiro, ser o certo, como pode? Para tristeza dos vitoriosos, vou com o Camelo, vencer é o resultado, é o fim, é o que deu certo, é o que chegou primeiro, é o que mereceu, e é exatamente por isso que tenho dó de quem vence, pois não me importa o resultado, ele é o engano do jogo, eu não quero chegar ao fim, pois o fim é para os que sabem e eu ainda preciso muito aprender, não quero a certeza, pois ela é o fado do fracasso, não quero chegar primeiro, pois o primeiro chega só, e também não quero merecer nada, pois o amor só alcança a gratuidade.
A vida não pode ser medida pelo êxito ou pelo fracasso, a vida é medida pelo caminho, e no caminho pouco importa o final, pois enquanto houver estrada ele nunca chegará.

Mas afinal o que é vencer?

Fico com o Pessoa: “Vence só quem nunca consegue”.


A vida é bela e a ideia é nobre.

Silas Lima

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Céu de Deus

Em comunidade caminhamos e evoluímos, a cada movimento agregamos valores, idéias e cada vez mais, vamos subindo como numa decolagem de avião na direção do mar do céu, cheio de nuvens de algodão branco por todo o lado, lá neste mar as questões são outras, nos permitimos dizer o que ninguém diz, sem rédeas pensamos o que ninguém pensa, descobrimos a vida e queremos desvendá-la, não há espaço para o leite, pois orá lá: “KEEP CALM” tomamos as melhores safras das melhores bebidas, descobrimos que existe muito mais do que o leite, o clichê, o normal, o trivial. Afinal estamos no alto e quem está no alto está mais perto de Deus, logo não precisamos olhar pra baixo.

Mas estar no meio das nuvens de algodão é estar distante, lá é impossível ouvir os que estão embaixo, que não podem voar, pois no alto é necessário muito esforço para descer, tem de se rebaixar, tomar leite com quem toma leite, abandonar o status da sabedoria e voltar a andar, e voltar a andar é mais simples, trivial, normal, clichê.

Contudo é no caminho do chão, que as pessoas se aproximam, andando no asfalto e não nas nuvens as pessoas se ouvem, se conhecem, trocam experiências, se igualam e se juntam. Para as borboletas azuis no seu de algodão digo uma coisa, é no chão que o Deus do céu está, lado a lado de quem não pode voar, dos que preferem andar, dos que mesmo muito sabendo pouco sabem e se permitem saber.

Não é preciso ir tão longe para encontrar o céu, existe céu aqui no chão, no coração do outro, e é esse céu que precisamos descobrir e ali que devemos voar.
 
A vida é bela e a ideia é nobre.

Silas Lima

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Orgulho de ser Brasileiro!

“Brasil vamos acordar, o professor vale mais que o Neymar!”; “Vem, Vem pra rua, vem que a luta é sua!”; “Ohhhhh o Brasil acordou!” “Olha que legal o Brasil parou e nem é carnaval” etc... Era assim que uma multidão inquieta, mas por muito acomodada protestou ontem em vários cantos do Brasil e do mundo, movidos por inúmeros motivos – 20 centavos de aumento da Passagem, repressão policial, corrupção, super faturamento de obras, salário dos Deputados, o gigante investimento nos estádios da Copa e os nanicos investimentos na Educação, Saúde, Transportes entre outros temas muito mais importantes que o torneio do esporte bretão, entre outros inúmeros absurdos de nosso país. É meus amigos o povo acordou.

O Brasil com “S” cansou, e está descobrindo que juntos é possível sim mudar o que é injusto, sem partido ou líder, pois não lutamos por ninguém, mas sim por todo mundo.

Me orgulho de viver este momento, conhecer pessoas incríveis comprometidas com o bem, e mesmo sem conhecer muitos deles, não posso me esquecer de quem já lutou para que hoje fosse possível sair às ruas de São Paulo com mais de 100 mil pessoas na maior cidade da América Latina e lutar sem que nenhuma pessoa se ferisse, ouviram isso, no dia 17/06/2013 em São Paulo não houve registro de nenhum ferido por causa das manifestações.

Mediante a tantas injustiças num país a um passo de se tornar “desenvolvido” o povo resolveu desenvolver um protesto, para de fato desenvolver o país!

A vida é bela e a ideia é nobre!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Uma Dia Inteira



Nasce o sol, dá a luz, nascimento que produz,
Diz o dia: começa a vida, diz a vida: começa dia,
Na manhã, novidade, na manhã nova idade,


Casto novo que encanta, palavras, risos, ciranda,
Anda, vibra, dança, faz nascer esperança,
Esquenta, preenche o espaço, mas não preenche o inacabado,
Descobre o doce e a doçura, transforma a dor e a amargura.

Caminha ao passo do anil, inconsequente, juvenil,
Descobre o dia devagar, apressa a vida sem parar,
Estreita o abraço, cria laço, neste momento gera traço,

Encorpa o corpo, ganha o mundo, meio dia, meio tudo, a dama e o vagabundo.
Transforma a vida, produz a cria, se aproxima do fim do dia,

As três da tarde amadurece, sorri com aquilo que não se esquece,
Foge o caminho da solidão, procura o voo do tecelão,
Entende a vida no fim da tarde, se torna amigo da saudade,

Ao fim do dia o sol nunca mais, e lua a lembrança traz.

A vida é bela e a Ideia é nobre.
Silas Lima

sexta-feira, 22 de março de 2013

Mãos de Pilatos


Vivemos uma nova época na história da humanidade, nunca antes a democracia esteve tão bem difundida, a internet e a globalização viraram um grande megafone dos pensamentos humanos, hoje é possível expressar e se mobilizar com muito mais ferramentas do que décadas atrás, movimentos como a Primavera Árabe só são possíveis, devido a este novo mundo, onde todos podem dizer a todos.

Por isso me incomodo grandemente com a imparcialidade, o medo de se posicionar, a conveniência, o mormaço, sei que em algumas situações a neutralidade é sábia, pois na vida nada é absoluto, mas não posso aceitar o silêncio, por pura conveniência, o medo de encarar questões, com o pretexto de não mexer no formigueiro, por isso afirmo não sei lidar com a imparcialidade, prefiro o pensamento contrário à imparcialidade.


A imparcialidade é perversa, busca o conforto, é egoísta, encolhe a mão, fecha as portas, não chove e nem molha, não indica, não ensina, fecha os olhos e abre espaços para as negociatas, falcatruas, injustiça, não lhe permite ser, é o caminho do desencontro - desencontro por que o imparcial se esconde de tal forma que não sabe mais o que é dia e o que é noite, quando vê está encalacrado num abismo regido pelas leis do conformismo.


Tenta não ser injusto, mas mal sabe que a omissão é um ato infiel à justiça, é o primórdio da indiferença, como diz o Engenheiro “Havaiano” “quem ocupa o trono tem culpa, quem oculta o crime também, quem duvida da vida tem culpa, mas quem evita a duvida também tem”.


Uma das "penas" do mundo é o silêncio dos bons, por isso pense, fale e se necessário for mude de opinião, os que não podem ou não possuem a coragem de se posicionar, não se conhecem, não resolvem, não são felizes.


Mesmo errado, os que falam aprendem, enfrentam a vida e descobrem como viver, podem até perder o conforto, mas encontram a paz.

 A vida é bela e a ideia é nobre.