sábado, 18 de novembro de 2017

Rio de Janeiro (Copacabana) - #01/20

Comecei minha saga pelo Brasil, confesso estava e estou com medo de fazer isso sozinho, é estranho para mim, não sei lidar com a solidão, mas a primeira experiência foi boa, vamos a ela.

Minha primeira parada é o Rio de Janeiro, acho que você já deve ter ouvido falar nele antes, é aquele que continua lindo, o da garota de Ipanema, o que tem Jesus grandão de braços abertos, ele vira e mexe aparece por ai em fotos e vídeos, você com certeza já ouviu ou viu alguma imagem desse lugar.

Como todo bom paulistano vim ao Rio de Janeiro cheio de recomendações, precauções e preocupações, afinal de contas ele possui alguns problemas com a questão da segurança pública, estava tenso, pois já passei por uma experiência bem difícil aqui no Rio. Ao entrar na linha vermelha, não posso negar que temi a caricatura popular da bala perdida, quase dirigi deitado, vai que essa bala perdida me encontrasse (apenas uma brincadeira), contudo ao me encaminhar para a Zona do Sul do Rio - local ao qual eu nunca havia visitado, comecei a me deparar com um outro Rio de Janeiro, e quanto mais me aproximava do meu destino – Copacabana no caso, mais eu sentia uma segurança e confiança no ambiente que até me assustou, que lugar bonito, que lugar tranquilo, me senti numa novela da globo, Botafogo, Humaitá, Leme até chegar em Copacabana...

Copacabana, que lugar é esse, quanta beleza, para um paulistano da gema esse é o céu, me deparei com todos os clássicos exemplos de beleza desse lugar, a bela praia, o famoso calçadão e seu ladrilho preto e branco formando curvas no chão, o Copacabana Palace luxuoso, “serião” que lugar, pessoas nas ruas, muito calor, gente de todo o mundo em movimento, é futevôlei na areia da praia, é gente andando de bicicleta na Atlântica, bares e restaurantes com música e gente dançando, é gente andando ou correndo pelo calçadão. Como é ativo e cosmopolita esse lugar, tão belo, tão lindo, como uma maquiagem que deixa linda uma face, quase não consegui fugir da caricatura do malandro vestido de terno dançando samba com um pandeiro na mão, me senti no gibi do Zé Carioca.

Contudo como toda maquiagem, basta se aproximar e esperar para que as imperfeições apareçam. 

Como estou sozinho nessa viagem fui a rua, e sempre que pude puxei papo com alguém, tive sorte, todos com quem eu conversei hoje eram cariocas, e eles são incríveis, a começar por esse sotaque que é irritante em São Paulo, mas tão incrível aqui, nem me importei com o som da letra S deles ser emitido como X, eles não falam Vasco, eles falam Vaxco rsrsrs.

Conversei com um garçom chamado Julio, moço simpático, me deu altas dicas sobre as lindezas desse lugar, tantas que eu não terei tempo de cumprir, mas ao saber que eu era de São Paulo logo se mostrou preocupado e deu uma recomendação, “olha evita andar fora da orla viu, tem muito assalto e outra coisa, não saia com muita coisa para a rua, somente o necessário e nada de luxo, esse é meu conselho”, após o almoço segui o conselho dele e fui até o Leme a pé pela orla, apaixonado por futebol parei para ver um jogo de futebol de areia, um campeonato de bairros da cidade, tão logo parou ao meu lado um rapaz perguntado o placar do jogo, seu nome era Mateus, treinador de goleiro das categorias de base do Fluminense, solicito e atencioso, falava com um orgulho mágico sobre como o Rio é lindo, entretanto mudou o semblante ao saber que eu sou paulistano e que nunca tinha vindo a Copacabana, logo veio com outra recomendação de segurança, “olha Silaxxx evite a praia de Copacabana, lá vira e mexe tem arrastõexxxx, se for ficar nela, só vá de roupa de banho”. Ali se mostrou o complemento desse lugar, ele de fato é lindo, tão lindo, que dá para acreditar mesmo que Deus é Brasileiro, entretanto ele é ao mesmo tempo temerário, perigoso.

Esse mix de beleza e temor me mostrou que nesse lugar tudo está permeado pelo medo, há o medo que está relacionado a segurança e o medo de não perder a sua beleza, e medo me dá medo, pois do medo nasce o mal, mas também me dá esperança, pois só quem tem medo pode ser corajoso.

Só quem vai pode voltar...


A vida é bela e a ideia é nobre.

Silas Lima

domingo, 20 de agosto de 2017

Ouvi de alguém

Já ouvi de alguém que os grandes momentos dizem o que queremos ser, mas que são os pequenos que dizem o que somos, são nos instantes onde não há muitos por perto, nos instantes que passamos sozinhos, nos instantes que passamos com o amado ou amada, nos momentos despretensiosos, onde não há nada a ser provado, onde ninguém irá nos julgar, nos rotular, ou nos perceber, são nesses instantes que descobrimos quem de fato somos, são nesses momentos que somos.

Já ouvi de alguém que os grandes momentos nos dizem de quem devemos nos afastar, mas são os pequenos que nos revelam as pessoas que queremos perto para sempre, são nos instantes onde não há muitos por perto, nos momentos despretensiosos, onde não há nada a ser provado, onde ninguém não há ninguém para julgar, ou rotular, são nesses instantes que descobrimos quem de fato queremos ao nosso lado, são nesses momentos que descobrimos o que o outro é.

Já ouvi de alguém que os grandes momentos dizem para onde vamos, mas que são os pequenos que dizem onde estamos, é a quantidade de instantes onde não há muitos por perto, é a quantidade de instantes que passamos sozinhos, é a quantidade de instantes que passamos com o amado ou amada, é a quantidade de momentos despretensiosos, onde não há nada a ser provado, onde ninguém nos julga, nos rotula, ou nos percebe, é a quantidade desses instantes que nos dizem aonde de fato estamos.

Já ouvi de alguém que os grandes momentos guardam as maiores mentiras, mas que são nos pequenos que mora a verdade, é ali nos beijos, aeroportos, rezas de hospitais, a verdade está no singelo, no modesto, na cor do café, no gosto do pão, no instante que não há mundo, só há o que percebemos, o que sentimos, no sonho, no choro, no gozo, na morte, no amor, a verdade mora no nada, na perda, no silencio.

Já ouvi de alguém que os grandes momentos são o palco do fictício, mas que nos pequenos atuam os verdadeiros, neles há verdade não dita, há verdade vivida, sentida, presenciada, percebida, seja no olhar, no abraço, na lagrima que só cai de um olho, no riso bobo, no sussurro gratuito. Verdade há em quem permanece para além da superfície, naquele que nos descobriu e não partiu, verdade há em que nos enxerga sem roupa, sem som, sem óculos, sem ninguém, sem nada, naquele que nos viu desnudo e não nos cobriu.

Pois já ouvi de alguém que a vida de verdade é feita de pequenos momentos, logo quem se atenta a esses instantes descobre o que é, o que quer, aonde está, quem quer, quem ama, quem vive ... descobre a vida de verdade.


A vida é bela e a ideia é nobre

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Ferretes do Medo

O que é o mal? Qual é a origem mal?

Essa é uma questão pesada, densa, é uma pergunta bem complexa e em alguma medida esbarra em várias disciplinas, ela é filosófica, teológica, antropológica, sociológica, psíquica e por aí vai.

Dentre milhares de explicações, vou me debruçar sobre a ideia de que há uma conexão intrínseca entre mal e medo. Parafraseando o mestre Humberto (Engenheiros do Hawaii) acredito que “o mal nasce do medo, do medo que as pessoas têm”.

Zygmunt Bauman, filosofo contemporâneo, faz uma conexão do mal com o medo. Ele chega a dizer que medo e mal são irmãos siameses, estão tão entrelaçados que mal conseguimos identificar quem é quem. “O que tememos é o mal; o que é o mal, nós tememos”.

Partindo daí compreendemos alguns movimentos reativos/vingativos de nossa sociedade, como linchamentos, execrações públicas, marcações na testa, e a lista cresce na tragédia de horrores.

Sei que nosso sistema judiciário é falho, e que essa sensação de que nada é feito é dura, nos traz um medo de que tudo se desregule e, que o mundo vire um caos. Afinal de contas, temos medo de sermos abordados com um 38 no rosto por causa de um celular. Temos medo de nos sentirmos impotente ante a um garoto armado que está levando embora aquilo que é fruto do nosso esforço. Temos medo de ficarmos à mercê do gatilho, medo de vermos o pânico estampado no rosto de quem mais amamos.

Concordo! É um absurdo ter medo de viver, mas luto diariamente para que esse medo não me torne medonho.

O mal nasce do medo, do medo que nos domina, que nos torna medonhos, que torna nossas ações medonhas, que torna o mundo medonho. Como colher um mundo de paz, onde só se planta o medo?

Marcar o outro não é coragem, nem justiça. Marcar o outro é fazer do medo ferramenta que nos gera mais medo. Linchar o próximo é tocar o terror em quem nos aterroriza. Tais atitudes são medonhas, só revelam o quanto somo igualmente medonhos.

Coragem é o ato de não deixar que o medo domine nosso agir. 


Pensemos uma justiça que não tortura, mas que antes de tudo ensina, que coloca o errante nos trilhos do que é direito, que o reintegra ao convívio social, que o traz de volta à vida.

Se não mudarmos a chave e entendermos que justiça é correção e não condenação, estaremos assinando um atestado de que a vida não pode se reinventar. Criaremos uma régua que talvez algum dia nos mesmos possamos cair nela, e decretaremos que AMOR perdeu a batalha contra o medo.

Não torço para que o outro seja encarcerado para que apenas sofra as consequências de seu mal, torço para que ele compreenda o seu mal e assim se torne bom. Torço para que compreenda o medo que ele tem, na esperança de que ele deixe de ser medonho.

Que o martelo não seja batido por uma pena castigo, mas por uma pena compaixão, não tenho a ilusão que o fogo se apaga com álcool, nem a inocência que atitudes medonhas possam combater o medo. Por isso peço, se for fazer justiça, faça aquela que rompe com o medo e a maldade.

A chama medo que nos incita ao ódio, cria em nosso coração os mesmos pavores.


A vida é bela e a ideia é nobre

Silas Lima

quinta-feira, 9 de março de 2017

Todos os iguais

“A igualdade pode ser um direito, mas não há poder sobre a Terra capaz de a tornar um fato. ” Por mais que a frase de Honoré de Balzac pareça verdade, nós insistimos na angústia por igualdade, pela possibilidade de todos poderem usufruir de seu mundo, nos é inadmissível tamanha desigualdade social, tamanha ganancia, avareza, egoísmo, pessoas passando fome, nos é inadmissível o roubo daquilo que é de todos por direito HUMANO, por isso sonhamos com um mundo nosso, um mundo que misture o Brasileiro e o Alemão.

Pois somos materialmente iguais, à medida que viemos do mesmo lugar, nu, sem carro para andar, sem roupa para usar.

Do mesmo modo não devemos fechar os olhos para a dimensão existencial da igualdade humana, onde somos iguais pela possibilidade e diferentes pelo desejo.

Nessa dimensão, ser diferente é tudo que a gente mais deseja, como uma necessidade de se localizar no mundo, de se descobrir, de se esbarrar com aquilo que chamamos de personalidade. Mas sem perceber essa busca nos leva de volta ao mesmo lugar. Lugar comum, onde todos sorriem, onde todos choram.

Por isso nossa luta, nosso convite é para que você, você aí sentado na cadeira, nos dê a sua mão e escreva conosco uma história, não necessariamente diferente, nem igual, mas uma história que transforme a nossa amizade em um caminho de igualdade, pois como já disse Pitágoras a amizade é a igualdade, é o nosso grito, o nosso sonho.

Ela nos empurra para o horizonte da igualdade, e quanto mais andamos para perto do horizonte da igualdade, mais tempo temos no caminho da amizade.

Afinal de contas somos todos iguais,  diferentes apenas no modo de sermos iguais.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Torre de Marfim

Nasceu pra mim, sorriso logo ali
Menina no chão, destino em sua mão

Papel sem fim em torres de marfim,
Olhando pro céu, envolto no grande véu

Todo sonho é filho de uma canção
Toda angustia um dia encontra um coração
Todo dia é dia de uma criança
Toda noite, há de haver uma esperança

Tão pequeno pra dizer
Um acorde no jardim do coração
Haverá de florescer
Harmonia, uma vida e uma canção

Todo sonho é filho de uma canção